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ESCREVER DIREITO
Um bom começo

Deonísio da Silva
“O mercado está se organizando para atender a crescentes demandas de ensino da disciplina Língua Portuguesa. Cada vez mais empresas abrem cursos para que seus profissionais aprendam aquilo que as escolas de diversos níveis não lhes deram, embora eles tenham saído dali com diplomas nisso e naquilo.
Quem deu o passo inicial para atender a tal demanda foi na verdade a imprensa. Vários jornais não dispensam manuais de redação e professores de Língua Portuguesa. É o caso da Folha de S.Paulo, com Pasquale Cipro Neto; do Extra, com Sérgio Nogueira; de Zero Hora, com Cláudio Moreno.
São abundantes os erros de ortografia em cartas, informativos, avisos, relatórios e, principalmente, em e-mails. Aliás, a internet prima por oferecer abundantes exemplos de como se escreve mal. Basta ver os comentários aos artigos que ensejam a participação dos internautas. Se tais redações constituíssem prova de Língua Portuguesa no vestibular, a maioria dos comentaristas tiraria zero, pois esta é a nota atribuída a quem não trata do tema proposto. Isto é, não seria necessário o examinador sequer perder seu tempo corrigindo os numerosos erros de ortografia e de sintaxe ali estampados. Descontemos também a arrogância, invariavelmente aliada à ignorância. Todos acham que sabem tudo. Já achavam isso na escola, quando não estudavam nada.
Disciplina indispensável
Nas empresas, os sinais de que algo precisa ser feito são frequentemente reiterados. Não apenas em e-mails, mas principalmente neles, não importa quem seja o destinatário (superior ou colega), os textos semelham misteriosas mensagens cifradas. Contados, descontados e perdoados os tropeços ortográficos, para os quais a tolerância zero não é admitida, o destinatário vê-se diante de um caos, a começar pela falta de clareza, pelo gerundismo, pelas frases soltas, prolixas, sem objetividade alguma. Naturalmente, são perdoados também os cacófatos, as rudezas e a ausência de um mínimo de gentileza e de cortesia no trato com superiores ou colegas.
Em matéria intitulada “A carreira nas alturas” (revista Língua Portuguesa, ano 5, nº 63, janeiro/2011), Adriana Natali identifica o gerundismo como o quarto erro mais comum, depois da falta de clareza, da prolixidade e do uso excessivo do “que”, classificado como “queísmo”. O gerundismo tomou conta de falas e textos nas empresas. Eis alguns exemplos: “Vamos estar mandando isso na semana que vem”; “vou estar transferindo o senhor para o vendedor”; “ninguém sabe quando ele vai estar voltando”. Etc.
A concordância verbal (“segue (sic) os documentos solicitados”), a confusão entre “a” e “há” (“a” indicando o futuro; “há”, o passado), a má colocação dos pronomes e os problemas de pontuação completam o caos.
Como as escolas falharam, as empresas tratam de consertar. De todo modo, desde há alguns anos, diversas faculdades e universidades vêm tornando indispensável a disciplina Língua Portuguesa em todos os cursos superiores que oferecem.
São bons recomeços, mas ainda insuficientes.”

Enriqueça seu vocabulário

Sabe quando a gente precisa da palavra ou expressão ideal para descrever um sentimento, uma opinião ou até mesmo reproduzir um pensamento ou ideia sem parecer plágio ou imitação? A dica é procurar palavras e seus sinônimos, escrevê-las em “Post-it” e pregar na geladeira, no carro ou mesmo numa mensagem no celular com alarme programado. Desse modo, você memoriza mais palavras, enriquece seu vocabulário e transforma suas mensagens em textos mais ricos e interessantes para seus leitores. Seja no Facebook, nos SMS ou em qualquer outro canal de comunicação que você use, sua criatividade transparecerá e suas ideias ficarão mais exatas, sem brecha para má interpretação nem equívocos.

O mesmo é válido para o aprendizado de outros idiomas. Vale pesquisar e escrever a pronúncia e exemplos de como usar as novas palavras dentro de contextos, informações culturais, etc. Aos poucos, vêm o aperfeiçoamento e fluência.

Algumas recursos são encontrados em sites, como o UOL Educação, dicionários e sites de jornais tais como Folha.com, dentre outros.

Um abraço!

Huda.

Espiã

Sentada num bistrô simpático da cidade, acomodo minha bolsa na cadeira desocupada ao meu lado direito e espero pacientemente o garçom trazer o cardápio para mim. Claro que fico olhando para ele, fazendo aquela pressão para ele trazer logo o bendito menu para eu fingir que escolho alguma coisa da lista. Sim, finjo porque já sei exatamente o que quero: cappuccino italiano sem canela e um croissant com geleia de damasco. Hum… delícia! Mas preciso segurar o cardápio e fazer de conta que escolho calmamente, só para fazer charme… é chique, dizem.

Bom, chamo o garçom, ele vem a passos de tartaruga e finalmente finge que anota meu pedido de sempre, de toda semana (“Que mulher sem criatividade, nosso cardápio cheio de gostosuras, e ela SEMPRE pede a mesma coisa!”)  Tudo faz parte do ritual cliente-garçom. Temos que manter a pose!

A cadeira é pouco confortável e a mesa alta. Ligo meu laptop, acesso a internet e começo a ler o noticiário, as fofocas (confesso que tenho passado mais tempo nas colunas e sites de fofocas dos famosos; preciso entender que universo é esse, tão instável, intenso e que em nada acrescenta para meu crescimento. Pequenos vícios ridículos do dia a dia).

Com o costume de visitar o lugar pelo menos uma vez por semana, frequentemente “dou de cara” com um rapazinho muito simpático, que sempre vence a competição de quem chega mais cedo e pega a melhor mesa. Imagino que se eu madrugar na porta do cafezinho, assim como as fãs enlouquecidas do Justin Bieber fizeram quando o pentelho veio ao Brasil recentemente, meu vizinho de mesa já estaria lá na frente, garantindo conquistar a melhor mesa do lugar. Tudo bem, qualquer dia tomo coragem e peço para compartilhar a bendita mesa!

No início colocava meus óculos de grau para fazer charme, dar uma de intelectual, fashionista. Eles nem eram tão necessários. Mas, com o passar dos dias, a visão foi piorando e paguei a língua: sem eles, não enxergo nem os ícones da Área de Trabalho. Agora, mesmo já não me achando tão charmosa mais com os lindos óculos de grife, ai de mim se ousar ler sem eles. A olheira vai ficando mais escura, a testa vai franzindo, aí sim, ficarei patética, como aquelas pessoas que afastam sua leitura dos olhos, esticando os braços, a fim de conseguirem ler qualquer coisa, até mesmo a conta do restaurante, porque deixaram os óculos em casa. Ô ceninha mais “pitoresca”….

Chegou o meu pedido. “Aqui está, senhora, seu cappuccino e seu croissant (pra variar) .”    “Obrigada, querido”.

A xícara branca quadradinha e o pratinho em forma de lua crescente (daí o nome “croissant”) são um charme do design, devo reconhecer. Como é bom comer e beber em louças bacanas, bonitas de se ver. É prazeroso! Melhor seria se o gatinho da mesa ao lado fosse embora e me cedesse a mesa, claro.

Mas, por que o título “Espiã”? Claro, esqueci de admitir que estou aqui, absorta em meus pensamentos, leituras, sms, olhando pro teto, mas não tão absorta assim. Às vezes dou uma olhadela pro lado para espiar meus vizinhos. Não por curiosidade no que fazem, longe de mim me intrometer na privacidade dos outros (tá bom, só um pouco, vá!), mas para aprender coisas novas, pegar algumas dicas no ar, novas ideias, informações culturais que não estão nos jornais, vocabulário novo e otras cosas más. Afinal, há tanta gente interessante ao nosso redor que não nos custa dar uma espiadinha de vez em quando.  Numa cidade fria como esta, a gente usa estratégias pouco convencionais para ter um pouco de troca, não é mesmo?

Huda Jamaleddine

The Bilingual Advantage

New York Times

By

Published: May 30, 2011

A cognitive neuroscientist, Ellen Bialystok has spent almost 40 years learning about how bilingualism sharpens the mind. Her good news: Among other benefits, the regular use of two languages appears to delay the onset of Alzheimer’s disease symptoms. Dr. Bialystok, 62, a distinguished research professor of psychology at York University in Toronto, was awarded a $100,000 Killam Prize last year for her contributions to social science. We spoke for two hours in a Washington hotel room in February and again, more recently, by telephone. An edited version of the two conversations follows. See more:

The Bilingual Advantage – New York Times

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